Energias Renováveis e a Desinformação

Energias Renováveis e a Desinformação

 

germanborrillo

Portugal tem visto uma diminuição da dependência energética devido ao maior investimento em renováveis mas por outro lado existe menos investimento em recolha de informação, manutenção e o sector tornou-se opaco.

Os números são promissores mas precisam de melhor explicação, este é o resumo de quatro anos no sector das energias renováveis em Portugal. É evidente, segundo os dados, que a dependência energética nacional tem vindo a diminuir. As energias renováveis contribuem com cerca de 30% da energia necessária, segundo Luísa Schmidt, investigadora do Instituto de Ciências Sociais (ICS).

As fontes de renováveis tem dado o seu contributo de forma crescente, cerca de 63,8% do total no ano passado, dos quais 29,4% é de origem hídrica e 23,7% eólica, já a energia solar tem apenas 2% do total. Também a utilização de biomassa tem aumentado mas pouco.

“Não é aceitável que o país com maior número de horas de sol por ano na UE tenha ainda um dos menores índices de produção fotovoltaica e, pior ainda, de painéis para aquecimento de água. Tal deve-se, não tanto à falta de política de incentivos (que acabou em 2011), mas sobretudo às graves insuficiências de informação sobre este tema”.

Em 2014 foi publicado um decreto-lei que simplificou os modelos de mini e micro-geração, “facilitando a produção elétrica para consumo por particulares,com o excedente a poder ser vendido à rede”.

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Fizeram-se notar grandes diferenças face a 2011 no consumo final de energia. “Este decréscimo deve-se mais aos efeitos da crise do que a uma mudança programada e consistente. É certo que o contributo das renováveis foi decisivo, mas o abrandamento econômico e a retração das famílias no uso do carro e da eletricidade foram também cruciais”.

No ano em que se realiza a Conferência do Clima em Paris, Portugal assumiu o objectivo de limitar o crescimento das emissões em 31% do consumo final bruto, dos quais 10% nos transportes, afirma Luísa Schmidt.

Também foram assumidos compromissos de eficiência energética na Administração Pública de 30% e para isso “será necessário realizar um grande investimento em infraestruturas de transportes públicos elétricos e adotar medidas de eficiência energética que têm de refletir-se na sociedade de uma forma mais dinâmica, abrangente e informada”

No entanto, “Nos últimos quatro anos, o recuo na monitorização da informação tem sido drástico, interrompendo-se a continuidade de recolha e registo de dados, pondo em cheque os fundamentos para quaisquer políticas de mudança e avaliação dos seus resultados“.

Segundo a investigadora, “suspendeu-se a manutenção dos equipamentos que monitorizam os recursos hídricos, essencial para se atuar em casos de cheia ou secas, desestruturaram-se sites, muitas das estações de medição da qualidade da água dos rios foram desativadas, tal como da qualidade do ar, a produção e destino final dos resíduos industriais e hospitalares deixaram de ser divulgados no Relatório do Estado do Ambiente, a par de muitos outros dados relevantes”. Ou seja, o que se faz não se sabe e não se sabe o que não se faz.

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